Digital Fraud

Axur entrevista: Mercado Bitcoin e Foxbit

Por Rodrigo Dutra em
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Rodrigo Batista e Guto Schiavon conversam conosco sobre o cenário de bitcoin e os riscos digitais que enfrentam diariamente na Mercado Bitcoin e Foxbit, as maiores corretoras de bitcoin do Brasil.

 

Com o crescimento exponencial da moeda virtual e o surgimento de novas criptomoedas em um nível frenético, a Axur convida nossos clientes, responsáveis pela segurança da Mercado Bitcoin e Foxbit para uma entrevista sobre o futuro da moeda, potenciais riscos e o cenário atual no país. As duas maiores corretoras do país tem tomado medidas para assegurar a segurança dos seus clientes com diversas medidas proativas, como a contratação do serviço de monitoramento de riscos digitais da Axur, com o objetivo de identificar e remover páginas de phishing que possam roubar as credenciais dos seus clientes.

Axur: Na visão de vocês, quais são as principais barreiras para adoção do bitcoin por parte do usuário comum?

Guto Schiavon: A dificuldade de penetração de qualquer nova tecnologia já é um grande obstáculo para a aceitação do bitcoin pelo usuário comum, além disso, tem a questão de que o bitcoin ainda é um pouco difícil, são palavras novas, conceitos novos, e tem a questão cultural de que as pessoas não são acostumadas a assegurar seu próprio patrimônio, que é o pilar principal do bitcoin: "be your own bank".

Rodrigo Batista: Existe um receio inicial por desconhecimento sobre o que são os ativos financeiros digitais, como o Bitcoin. O fato de não existir uma regulamentação pelo Bacen também pode gerar desconforto ou mesmo desconfiança para algumas pessoas. Mas, ao entender que o Bitcoin é uma tecnologia revolucionária que permite pagamentos diretos, rápidos e seguros pela internet essas barreiras podem ser facilmente ultrapassadas. Além disso, o fato da moeda digital ser global e descentralizada não dá poder para nenhum governo ou país impedir o desenvolvimento do Bitcoin e de outras moedas digitais. Como é o exemplo da Venezuela. O processo de compra no Brasil é muito simples, você pode usar empresas como o MercadoBitcoin.com.br para trocar seus reais por bitcoins e outras moedas digitais, como o Litecoin e o Bitcoin Cash.

Vocês poderiam citar as principais dificuldades do mercado de bitcoin no Brasil.

Guto Schiavon: Acredito que a cultura seja uma dificuldade, tanto na questão tecnológica, quanto na questão financeira, que as pessoas estão aprendendo a investir agora, deixando de lado a poupança. Além disso, o mercado sofre muito com os bancos, que fecham a conta das empresas sem nenhuma justificativa.

Rodrigo Batista: A falta de regulamentação gera desconfianças em relação ao mercado de moedas digitais, ao mesmo tempo em que a falta de conhecimento sobre ativos financeiros digitais possibilita a atuação de criminosos realizando golpes financeiros como esquemas de pirâmide. Avanços da tecnologia e dos mercados globais nos deixam otimistas com o desenvolvimento da moeda. O recente anúncio da CME que irá lançar futuros de Bitcoin ainda em 2017 mostra que o mercado global está amadurecendo cada vez mais.

Pela experiência de vocês com o mercado brasileiro, quais são as principais medidas de segurança que uma corretora Bitcoin precisa ter?

Guto Schiavon: Os principais são: segurança de dados e dos bitcoins.  As exchanges precisam ser muito preocupadas com o vazamento de documentos e informações pessoais dos usuários, além de também se preocupar muito com o gerenciamento dos bitcoins dos usuários, que devem ficar armazenados em cold-storages, com vários níveis de segurança.

Rodrigo Batista: Priorizar a segurança dos usuários, como o Mercado Bitcoin já faz sem deixar de buscar novas formas de aumentar mais nosso nível de confiabilidade junto aos nossos clientes. Temos soluções avançadas de WAF e DDOS Proctetion para proteger a porta de entrada do nosso site, barrando usuários maliciosos contra todo tipo de tentativa de ataque. Toda comunicação feita com a página exige HTTPS. Dessa forma, dados sensíveis são armazenados em volumes criptografados e as credenciais armazenadas com criptografia não reversa. Por segurança, não mantemos todos os bitcoins em carteira online. Outro ponto a ser mencionado é que temos 100% de aprovação do Google na configuração do domínio para obter a máxima segurança na comunicação via e-mail, além de ter garantido nota máxima nos testes que avaliam a comunicação entre nosso sistema e os clientes, nos dando o certificado SSL A+. Contudo, para sua conta na plataforma ser segura, você precisa ter cuidados. Tenha uma senha forte, acesse seus e-mails apenas de dispositivos confiáveis, habilite a autenticação em dois passos, cadastre uma palavra segura para ter certeza de que está navegando no site do Mercado Bitcoin e não em um site falso e lembre-se de configurar seu PIN, número de quatro dígitos, gerado pelo site para garantir a tranquilidade em suas transações com a moeda virtual.

As exchanges precisam ser muito preocupadas com o vazamento de documentos e informações pessoais dos usuários, além de também se preocupar muito com o gerenciamento dos bitcoins dos usuários, que devem ficar armazenados em cold-storages, com vários níveis de segurança.

Quais os tipos mais comuns de fraude envolvendo bitcoin que o usuário final precisa se atentar.

Guto Schiavon: A fraude que mais pega usuários novos, é o phishing, que são sites que se passam por verdadeiros, visando roubar as credenciais do usuário.

Rodrigo Batista: Todo usuário precisa de uma carteira de Bitcoin para armazenar Bitcoins afim de enviar e receber pagamentos. Por esse motivo, essa é uma das prática mais comuns aplicadas por criminosos: a carteira falsa. Muitas vezes, os usuários são ludibriados pelo uso de carteiras com nomes semelhantes a das principais corretoras do mercado, além do mesmo logotipo e da promessa de anonimato.

Fique atento também para o phishing, o envio de mensagens com intenção de roubar informações pessoais. A tática consiste em te mandar um e-mail alertando que você é o feliz ganhador de uma quantidade X de bitcoins. Contudo, para ter acesso a eles, você deve fazer login em uma de suas carteiras. Ao clicar no link, o usuário é direcionado para um site falso e após preencher seus dados pessoais ele perde o acesso à conta verdadeira e às moedas contidas nela.

Outro golpe conhecido é o das exchanges falsas. Fraudadores atraem clientes com taxas menores das praticadas no mercado e oferecem a venda da moeda virtual, mas não repassam os Bitcoins aos compradores. Esquemas de pirâmides financeiras também são práticas condenáveis - a ideia é oferecer altas comissões para que você espalhe as vantagens da criptomoeda a medida em que fatura com os lucros da empresa. O problema é que não há empresa, nem serviço e muito menos lucro. O que você recebe inicialmente, nada mais é que uma parte do dinheiro que as novas pessoas enganadas pagaram.

Desconfie sempre de oportunidades irrecusáveis de faturar alto de forma rápida. O Bitcoin é uma moeda virtual que não tem lucro garantido, uma vez que sua cotação é flutuabilidade varia de acordo com a oferta e demanda no mercado, então todo cuidado é pouco.

Fraudadores atraem clientes com taxas menores das praticadas no mercado e oferecem a venda da moeda virtual, mas não repassam os Bitcoins aos compradores.

Mito ou verdade: o bitcoin tem sido usado principalmente por criminosos e crime organizado.

Guto Schiavon: Mito! O dólar, real, ouro, diamantes, tudo isso é muito utilizado por criminosos, seja pra lavagem de dinheiro, trafico de drogas ou assassinatos, mas não podemos dizer que essas moedas são  principalmente usadas por bandidos. O bitcoin, da mesma maneira, é muito mais utilizado para transações comerciais legítimas e doações voluntárias

Rodrigo Batista: Mito, embora as transações sejam anônimas, elas são registradas e rastreáveis, o que torna o Bitcoin um dos ativos financeiros mais seguros contra lavagem de dinheiro e outros crimes. Assim como com o real, dólar e outras moedas, há criminosos que solicitam pagamento em bitcoins, o que não indica que a moeda virtual seja algo ruim. Por exemplo: um celular pode ser usado tanto para dar notícias a familiares quanto para planejar um roubo. A culpa não é da tecnologia e sim, do uso que fazemos dela. E o mesmo se aplica ao Bitcoin. Sonegação de impostos e lavagem de dinheiro sempre existiram e uma criptomoeda não tem poder suficiente para ampliar tais práticas, pelo contrário, ela melhora nossa vida garantindo agilidade, custo mais baixo e menor burocracia em operações financeiras.

Qual foi a principal motivação do crescimento vertiginoso do bitcoin nos últimos 12 meses?

Rodrigo Batista: Podemos atribuir a valorização do Bitcoin a três fatores: legais, técnicos e de mercado. No aspecto legal, tivemos grandes avanços com diversos países se posicionando em relação ao Bitcoin, sendo a principal delas o Japão ter regulado o ativo financeiro digital de uma maneira pró-inovação, fazendo com que o país se tornasse o maior mercado de bitcoins em maio, onde o bitcoin foi equiparado a moedas estrangeiras. A atitude dos orientais motivou a Austrália a indicar que regulará o ativo de forma semelhante. Obviamente que houveram proibições temporárias como a da China, mas o impacto delas não foi tão forte quanto das notícias positivas. No âmbito técnico, tivemos nos últimos dois anos discussões técnicas acaloradas, especialmente no que se refere ao aumento da capacidade do processamento da rede, sendo que a maioria delas só foram resolvidas esse ano, tirando incertezas que rondavam o mercado de Bitcoin.

Em relação ao mercado, novidades como a que a CME listará ainda este ano futuros de Bitcoin deixam o ativo mais atrativo por clientes institucionais e passam a vê-lo de forma diferente aumentando sua valorização dada a criação de uma nova demanda.

Para conhecer as maiores corretoras de Bitcoin do Brasil, acesse: Mercado Bitcoin e Foxbit.

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ESPECIALISTA CONVIDADO

Eduardo Schultze, Coordenador do CSIRT da Axur, formado em Segurança da Informação pela UNISINOS – Universidade do Vale do Rio dos Sinos. Trabalha desde 2010 com fraudes envolvendo o mercado brasileiro, principalmente Phishing e Malware

AUTOR

Rodrigo Dutra

Profissional de marketing holístico formado em comunicação pela ESPM e Administração pelo Insper. Sou guiado pela curiosidade e não tenho medo de sujar as mãos. Estou fazendo meu melhor trabalho quando junto criatividade e estratégia.

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