Digital Fraud, Brand Abuse

Estelionato Digital: O que você precisa saber?

Por Maurício Garcia em
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Riscos digitais e a globalização da internet_

A tão falada globalização foi, de fato, responsável por alavancar o acesso à internet em vários países. Contudo, além dos inúmeros benefícios trazidos por tal propagação da rede, nos deparamos com alguns inevitáveis malefícios que assolam nosso cotidiano. Estes, vêm se tornando cada vez mais comuns a nossa realidade, como o estelionato.

Resultado da inserção da internet em nossas vidas, forma-se um meio rápido de comunicação e prestação de serviços. Seja na realização de um pagamento bancário ou a compra de algum produto, essa comodidade trazida pela popularização da internet, abriu as portas aos mais variados tipos de crimes digitais. Dentre estes, o estelionato representando um modelo mais simplista, porém muito efetivo. À medida que avançavam os métodos de propagação e transferência de dados pela rede, esquecia-se de atribuir métodos de proteção voltados à segurança dos usuários.

Observado esse avanço da rede mundial e sua evidente dependência em nossas vidas, é notório que não há como conter a evolução da tecnologia para buscar meios de tornar a rede um ambiente mais seguro. É necessário então, que as ferramentas e informações necessárias para proteger os usuários evoluam na mesma velocidade que a disponibilidade de novos serviços e funcionalidades.  

Não há dinheiro fácil

Todos temos ambições e sonhos profissionais e pessoais que, via de regra, exigem muito esforço para serem realizados. Nesse caso, a palavra chave é esforço. Não acredite, por mais tentadoras que sejam as ofertas, em esquemas mirabolantes que prometem altas recompensas financeiras no curtíssimo prazo. Atalhos não existem. Essa é a primeira dica para minimizar as chances de ser vítima de um golpe eletrônico: não confie em promessas de dinheiro fácil na internet!

A cultura de "levar vantagem" - enraizada na maioria dos brasileiros - é utilizada pelos fraudadores para enganar as suas vítimas e cometer, dentre outras fraudes, o crime de estelionato digital.

O conceito de estelionato é bastante simples: trata-se do famoso crime do “171”, infração contra o patrimônio que pode ser praticada por qualquer pessoa que tenha a intenção de enganar alguém para lhe tirar vantagem. E são várias as mentiras utilizadas pelos fraudadores para enganar as vítimas. A mais conhecida é a apropriação da identidade de uma empresa com credibilidade no mercado, para passar confiança na hora de alguma transação solicitada.

Os estelionatários são bastante criativos. Dentre algumas ofertas bastante comuns estão: a venda de produtos de alto desejo pela metade do valor de mercado, aquele emprego dos sonhos que promete remuneração muito acima da média e ainda permite que você trabalhe em casa e empréstimos financeiros com taxas de juros muito menores do que seu banco ofereceria. Em troca dessas "vantagens" os fraudadores ficam com o seu dinheiro.

Se você acreditar nas falsas ofertas acima citadas como exemplo (ou quaisquer outros sites/anúncios que ofereçam benefícios tão bons que são difíceis de acreditar) muito provavelmente vai ver seu dinheiro sendo roubado por um fraudador.

Construção de um estelionato digital

A história é meticulosamente construída pelo estelionatário com o objetivo de enganar as vítimas, buscando pontos de vulnerabilidade no usuário, explorando suas emoções. Os fraudadores, envoltos na credibilidade de empresas, acabam por convencer as vítimas de que aquela solução é a única maneira de suprir as suas necessidades.

O golpe começa na criação de uma página falsa utilizando a identidade visual da empresa afetada ou até mesmo o seu CNPJ. Depois disso o fraudador oferece o suposto benefício para as vítimas, através de um post em redes sociais, links patrocinado ou uma mensagem enviada no WhatsApp. Uma vez criado o anúncio, começa a propagação massiva dessa oferta em diversos canais eletrônicos.

A partir daí, a vítima recebe uma resposta rápida e atenciosa do fraudador, que visa transparecer segurança e atenção exclusiva. Ele sabe que precisa gerar uma sensação de conforto e segurança à vítima, reiterando que ela está fazendo um excelente negócio e que ela foi escolhida dentre vários outros interessados naquela oportunidade única.

Suportada por todo o esforço de marketing digital da empresa afetada, o fraudador segue para o ponto crítico da fraude: a realização financeira do golpe. Em troca da indicação para uma vaga de emprego, é necessário realizar o pagamento de uma "comissão". Em troca do empréstimo com juros baixos, é necessário pagar um seguro ao banco fiador da transação. Os argumentos criados pelo fraudador para a transferência de dinheiro são inúmeras e bastante criativas.

Após publicar e distribuir o golpe, conquistar a confiança da vítima e conseguir extrair algum valor monetário, restará apenas a frustração. Nesta etapa, normalmente o fraudador torna-se incomunicável, seja por e-mail, telefone ou WhatsApp e a vítima então percebe que caíra em um golpe. Isso a leva a atrelar a sua frustração à empresa usada como fachada.

Previna-se

Procure identificar e denunciar ofertas de estelionato, elas prejudicam tanto a credibilidade de empresas sérias e usuários buscando empréstimos. Para identificar sinais de fraude, procure pesquisar sobre a “proposta” recebida, veja se o site da empresa é verdadeiro ou se a pessoa que está te vendendo algo realmente existe. Tente buscar por depoimentos reais, veja se de fato é algo confiável e denuncie os oportunistas. Para estas verificações, é prática comum verificar tanto o CNPJ e relatos no ReclameAqui.

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ESPECIALISTA CONVIDADO

Eduardo Schultze, Coordenador do CSIRT da Axur, formado em Segurança da Informação pela UNISINOS – Universidade do Vale do Rio dos Sinos. Trabalha desde 2010 com fraudes envolvendo o mercado brasileiro, principalmente Phishing e Malware

AUTOR

Maurício Garcia

Economista por formação, um entusiasta de tecnologia e segurança por vocação. Graduado em Ciências Econômicas pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul - PUCRS, possui cerca de 9 anos de experiência profissional em Prevenção e Combate à Fraudes Eletrônicas, sendo 6 dedicados à Axur.